CONQUISTA EM FAMÍLIA

Em 1981, ao saber que  o tradicional bar e leiteria Gehren, em Petrópolis (RJ) estava à venda, Paulo Roberto Reuther, que na ocasião, aos 31 anos era proprietário de uma pequena mercearia na mesma cidade, não pensou duas vezes. “Sabia que seria uma oportunidade de ouro para mim. Trabalho no comércio desde jovem. Nunca me faltou disposição. Então resolvi vender a mercearia e comprar o bar”, diz. Foi com a mesma coragem e determinação que, aos 18 anos, depois de trabalhar por cinco anos na mercearia da qual o pai era sócio, decidiu comprar 50% do negócio. “Adquiri primeiro a parte do sócio do meu pai com o dinheiro que havia juntado durante os anos em que trabalhei na mercearia. O restaurante não foi herança, mas resultado de muito empenho e dedicação”,  orgulha-se ele, que, aos 21 anos, quando o pai se aposentou, comprou dele a outra metade do negócio, tornando-se o único dono.

Série de Inovações

Logo que assumiu a Gehren, Paulo, com a ajuda da esposa Vanilda Huag Reuther, deu início a uma série de mudanças na casa. Do antigo bar, restou somente o nome, um compromisso que firmara com os ex-proprietários. “Era um bar muito simples. Aos poucos inovamos no cardápio, no ambiente e no perfil do estabelecimento, que evoluiu para a choperia”, conta Paulo, 62 anos. Entre as novidades que implementou na ocasião, Paulo destaca a aposta na culinária alemã. Para ele, uma importante escolha. “Desde a infância tive contato com essa gastronomia porque minha avó materna era alemã e preparava as delícias dessa culinária. Sabia que seria um sucesso”, afirma, lembrando que o restaurante oferece opções para todos os gostos. “Os pratos tradicionais germânicos, como chucrute, salsichão e os de carne de porco são os mais pedidos, mas o cardápio também reúne grande variedade de petiscos, queijos, churrasco gaúcho e também feijoada”, conta.

A gestão do negócio, Paulo compartilha com a esposa e os dois filhos, Rodrigo Huag Reuther, 36 anos, e Ronas Huag Heuther, 35 anos. “Depois que meus filhos se tornaram adultos, eles passaram a trabalhar conosco. Somos todos sócios formais do bar e as decisões são tomadas com base na opinião dos quatro”, frisa o patriarca. O grande sucesso do Gehren, ele atribui, principalmente, aos cuidados com a qualidade dos produtos servidos. “Em tudo o que fazemos, primamos pela qualidade. Por isso, valorizamos parceiros que nos apoiam desde o início e ajudam a atrair clientes, com a seriedade e o respeito que conquistaram o mercado”, ressalta.

As inovações, segundo ele, também contribuem bastante para manter a casa em evidência. O cardápio da Gehren sempre apresenta novidades que são testadas em primeira mão pelos proprietários. “Meus filhos e eu vamos para a cozinha e preparamos novas receitas. Se forem aprovadas pelos clientes, ensinamos, pessoalmente, aos nossos três cozinheiros”, diz. Manter a equipe unida e motivada é outro fator que julga essencial para o sucesso da casa. “Alguns colaboradores estão conosco há mais de 15 anos. Eles sabem que, além de chefe, sou amigo. Quando necessário, aponto os erros, mas valorizo os acertos. A choperia é a extensão de nossa casa e os clientes percebem esse ambiente familiar”, atesta o patriarca.

Ainda seguindo o princípio de inovar sempre, a família investe constantemente em melhorias no estabelecimento. “Fizemos mais de 15 reformas. Quando assumimos a casa, ela tinha aproximadamente 25 m2 e, hoje, já tem 150 m2, informa Paulo. Mas nem todas as reformas aconteceram por opção dos proprietários. “Aqui em Petrópolis, sofremos muito com enchentes. Em razão disso, precisei restaurar a choperia algumas vezes”, conta. Segundo ele, a última grande enchente, em 2001, a família sofreu enorme prejuízo. “Foi o nosso pior momento. Perdemos todo o estoque, a mobília e tudo o que tinha na loja”. Ele destaca, no entanto, que cada reconstrução foi uma vitória para a equipe, que nunca desanimou: “Reerguer um negócio que foi, literalmente, por água abaixo, dependeu do trabalho árduo de todos”, afirma.

Diálogo aberto

Para a família, o contato direto com os clientes também contribuiu bastante para o êxito que alcançou. Os frequentadores sempre encontram pelo menos um dos sócios presentes na casa. “Criamos a cultura de passar pelas mesas e saber o que a clientela pensa sobre o serviço, ou se tem reclamação ou sugestão”, diz o filho Rodrigo. “Se surge algum problema, procuramos resolvê-lo prontamente”, acrescenta. E as sugestões que os clientes apresentam, ele frisa, são acatadas sempre que possível: “Instalamos, por exemplo, televisões pra transmissões de jogos e lutas atendendo a pedido deles”.